O Governo não pode «empatar» mais

Dias decisivos na <em>Sorefame</em>

Os trabalhadores iniciaram uma vigília frente ao Ministério dos Transportes, exigindo medidas concretas para salvar a fábrica e os postos de trabalho.

Não será possível evitar o encerramento, sem salvaguardar o emprego

No largo frente ao Palácio do Conde de Penafiel foi instalado um acampamento, que os trabalhadores prometem só levantar quando lhes forem apresentadas soluções concretas. Em causa estarão cerca de cem postos de trabalho, depois das rescisões obtidas sob forte chantagem psicológica e considerando que a Bombardier diz querer manter cem trabalhadores na ex-Sorefame. A multinacional persiste em avançar com um despedimento colectivo, que acabou por não concretizar no final do mês passado.
Por parte do Governo, como os representantes dos trabalhadores têm assinalado, continua a haver declarações de empenhamento e promessas de solução, mas sem serem conhecidas quaisquer propostas concretas. Segunda-feira teve lugar mais um destes episódios: logo que os trabalhadores chegaram à Rua de São Mamede, um assessor recebeu uma delegação e voltou a falar numa «proposta», que teria já sido remetida ao Ministério da Economia.
«Depois de não haver trabalhadores na Sorefame, ainda eles hão-de andar a prometer projectos», desabafou um operário para a nossa reportagem, na madrugada de segunda-feira.
É o que anda também a fazer o primeiro-ministro, «que não tem tempo para receber os trabalhadores da Sorefame, mas a quem não falta tempo para, com o dinheiro de todos nós, andar a realizar a mal encapotada caravana do PSD/PP», como denunciou anteontem a Comissão Concelhia da Amadora do PCP. Durão Barroso «prometeu este fim-de-semana novos e avultados investimentos no sector ferroviário e até o considerou uma “opção estratégica” deste Governo», mas os comunistas perguntam «como pensa concretizar essa “opção estratégica”, se continua a pactuar com a destruição da única empresa em Portugal com capacidade produtiva de material circulante».
No que diz respeito a evitar o encerramento da unidade portuguesa da Bombardier, o Governo «continua essencialmente preocupado em dar a imagem, para eleitor ver, de que está a fazer o possível», acusa a Concelhia da Amadora.

Solidariedade

Reafirmando a solidariedade do PCP para com a luta dos trabalhadores da Sorefame, refere-se que segunda-feira à noite se deslocaram ao «acampamento de luta» os camaradas Ilda Figueiredo e Jerónimo de Sousa, além de diversos elementos da Concelhia, que ali permaneceram. Os comunistas renovam o apelo à solidariedade da população e exigem do Governo «que termine com os calculismos eleitorais que têm marcado a sua actuação, deixe de “empatar” os trabalhadores com promessas ocas e, de uma vez por todas, apresente as medidas concretas que tem o dever e a possibilidade de tomar, no sentido de salvar a capacidade produtiva instalada e os postos de trabalho em causa».


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